quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Apple remove aplicativo que identifica personalidades judias

Programinha gerou protestos de organizações contra o racismo na França


Um aplicativo de iPhone que permite identificar se personalidades internacionais são judias gerou protestos de organizações contra o racismo na França, o que levou a Apple a retirar o programa de sua loja virtual no fim da noite desta quarta-feira (14) .
O aplicativo, chamado Judeu ou Não Judeu, permitia ter acesso a uma lista de 3.500 celebridades de origem judia ou que adotaram a religião.
O usuário do iPhone podia fazer a busca pelo nome ou "por categoria" (segundo as atividades profissionais), saber quem são os "judeus populares" ou ainda descobrir "por acaso" se uma pessoa é judia.

O aplicativo, que custa o equivalente a R$ 1,86 (79 centavos de Euro) foi criado pelo engenheiro britânico Johann Levy, que mora em Marselha, no sul da França.

"Listadas para você, milhares de personalidades judias (por parte de mãe), metade judias (por parte de pai) ou convertidas", dizia a descrição do aplicativo no site da App Store.

Após inúmeros protestos, o porta-voz da Apple, Tom Numayr, afirmou na noite desta quarta-feira (14) que o aplicativo "era contrário à lei francesa e não está mais disponível no Apple Store na França".

Diversas associações francesas ameaçaram entrar com ação contra a Apple. Organizações religiosas judaicas também disseram estar "escandalizadas" com o aplicativo.

O Crif (Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França), a União dos Estudantes Judeus da França, a SOS Racismo e a Licra (Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo) afirmaram que o aplicativo viola a legislação e é "perigoso", por listar personalidades unicamente pelo fato de serem judias.

Segundo a lei penal francesa, o fato de conservar em memória informatizada, sem a autorização do interessado, dados sobre suas opiniões religiosas é passível de pena de cinco anos de prisão e R$ 709 mil (300 mil Euros) de multa.

A lei francesa proíbe, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, estatísticas oficiais sobre as características raciais e religiosas, depois que os judeus foram perseguidos na França e deportados durante a invasão alemã.

O engenheiro que criou o aplicativo se defendeu.
- Eu mesmo sou judeu. Só queria dar aos judeus um sentimento de orgulho ao descobrir que tal empresário ou personalidade também é judeu. Não quero ir contra a lei, mas não entendo essa polêmica. Espero que haja uma discussão sadia, que discuta por qual motivo chamar alguém de judeu em 2011 tem uma conotação negativa. Não esqueço as horas sombrias da história francesa, mas achei que as ideias tivessem evoluído. Permanecemos numa paranoia e chamar alguém de judeu ainda é visto como uma delação.

Apesar de ser católico, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, integrava o topo das buscas no aplicativo, segundo o jornal Le Figaro.









fonte: http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/

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